Odontogeriatria

TRATAMENTOS DENTÁRIOS ESPECIALIZADOS PARA IDOSOS

Odontogeriatria é a especialidade da estomatologia que se encarrega da saúde oral de idosos, pacientes com idade superior a 60 anos, no sentido de prevenir e tratar as patologias mais comuns a essa faixa etária, tendo como objectivo a integração social, psicológica, funcional e preventiva de doenças sistémicas em idosos.

A necessidade de criar esta nova especialidade odontológica, deve-se principalmente a dois grandes factores:

Aumento da esperança de vida e consequente necessidade de maior prevenção contribuindo, desta forma para um envelhecimento saudável, isto é com melhor qualidade de vida.

Maior necessidade de tratamento da boca que, na terceira idade, se baseia sobretudo na patologia periodontal (inflamação e infecção dos tecidos de suporte do dente causado pela placa bacteriana) que, tendo em conta a regressão óssea e restantes tecidos inerentes à idade, obriga a um maior controlo, sob pena de causar perdas dentárias com subsequente necessidade da reabilitação das mesmas, através da colocação de próteses dentárias.
Estes são os factores mais comuns. No entanto, existem muitos outros inerentes à própria idade que se manifestam na boca e cuja atenção e tratamento atempado são determinantes.

São exemplos disso:

Xerostomia (secura da boca) quer desencadeada por efeitos colaterais de medicamentos quer proveniente de doença auto-imune como é o caso de Síndrome de sjogren, doença na qual o sistema imunitário produz células que atacam e destroem as glândulas lacrimais e salivares, nomeadamente, parótida, sub-lingual e sub-mandibular. A redução do fluxo salivar – xerostomia – provoca maior retenção de células epiteliais descamadas, restos alimentares e maior acumulação de micro organismos. Quer a xerostomia quer a doença periodontal provocam halitose se não forem devidamente cuidadas, mas o ponto fulcral, baseia se no facto de proporcionarem o desenvolvimento de bactérias (actinomyces, streptococos, entre outras) e infecções dentárias (cáries), paradontais etc. A xerostomia está também presente em doentes diabéticos que frequentemente apresentam doenças cardiovasculares e estão mais susceptíveis a processos infecciosos, muitos também causados pelas próprias próteses e por uma higiene precária das mesmas, tais como:

  • Infecções fúngicas, como a cândida albicans
  • Hiperplasias fibrosas inflamatórias
  • Estomatites
  • Queilite angular
  • Extensas hiperplasias do palato.

Outras lesões mais graves têm sido relatadas, embora em menor numero, tais como:

  • Leucoplasias
  • Carcinomas.

Para além de tudo isto, muito importante são as doenças sistémicas, crónicas e progressivas frequentes na terceira idade que obrigam a um maior cuidado. Por exemplo, nas doenças cardiovasculares, em particular em doentes com risco de endocardite infecciosa é indispensável uma antibioterapia de prevenção de acordo com o grau do mesmo e em colaboração com o aconselhado pelo cardiologista que o acompanha.

Não menos importante e o controlo da pressão arterial, bem como a terapia com anticoagulantes, devendo esta ser suprimida em qualquer procedimento cirúrgico ou que envolva sangramento.

Na artrite e em outras doenças reumáticas deformantes é necessário ter em conta a dificuldade da higiene oral, podendo nestes casos, a escova eléctrica ser uma mais valia, já que requer um menor esforço.

Sabemos que doenças especificas associadas ao processo do envelhecimento como a doença de Alzheimer/demência, osteoporose, demência vascular, além de outras debilitantes e progressivas, neurodegenerativas como o Parkinson podem, em última instância, levar à dependência total, isto contando com as complicações envolvidas como a perda de memória, arteriosclerose, anemias, osteoporose com consequente propensão a fractura, incontinência urinaria, alergias, etc.

Existem, portanto quatro categorias de idosos: os independentes, os parcialmente dependentes, os totalmente dependentes e os paliativos. Por tudo isto, médicos e dentistas devem manter um diálogo frequente, pois, no caso de cirurgia por exemplo, o dentista deve comunicar ao médico e informar-se sobre o estado geral de saúde do seu doente.

Prevenção e Dieta

A importância dos dentes nos dias que correm, vai muito além da mastigação, pois os dentes interferem também na fonética. Além disso, a sociedade moderna tornou se exigente nesta matéria e o desdentado ou pessoas com estética facial alterada por dentes mal cuidados ou ausentes começam a ser mal vistos.

A higienização diária e a visita regular ao dentista (de 6/6 meses) são factores decisivos na manutenção da saúde bucal como um todo, evitando assim as doenças orais crónicas presentes no idoso: cáries de raiz, xerostomia, atrição/abrasão (bruxismo), lesões da mucosa oral (candidíases, leucoplasias, etc), cancro oral, doenças periodontais, entre outras.

A dieta também é de extrema importância e deve ser à base de carnes, frutas, verduras, legumes, cereais e fibras. Deve-se evitar o consumo de doces e refrigerantes.

O periodonto, que engloba as estruturas de suporte da peca dentária pode, com a idade, sofrer um decréscimo no seu conteúdo de fibras, mas não há uma correlação clínica e somente sob condições patológicas adversas (placa, cálculo, trauma oclusal, por exemplo) se confirma.

A função imune, que pode variar muito entre as pessoas da terceira idade, sofre com o tempo de vida uma perda funcional que compromete, por exemplo, a resistência às infecções, também pela diminuição da capacidade reprodutiva das células T, criadas no início da adolescência. Nos anti-corpos IgG, IgA e IgM dos idosos observa-se um decréscimo do número passível de ser encontrado na saliva.

Em função das alterações neuromusculares associadas ao envelhecimento, mudanças na ingestão de alimentos podem ocorrer como a aspiração, mastigação incompleta, refluxos ou inalação dos mesmos.

A tonicidade da musculatura da língua é outro aspecto que acaba por criar mais um factor de readaptação das pessoas idosas, para conseguirem que o bolo alimentar possa atingir o estômago de forma mais adequada.

Mas não foi obtida uma correlação da idade com a capacidade gustativa, por ser esta um fenómeno complexo que envolve a sensibilidade olfactiva, táctil e a capacidade cognitiva, como, por exemplo nos alimentos salgados, onde a condição gustativa da ponta da língua era maior nos jovens que nos idosos.

O decréscimo do fluxo salivar com a idade é um facto comprovado por diversos estudos (e suas implicações directas com a capacidade de adaptação às próteses e as decorrentes queixas dos pacientes idosos após a sua colocação) e que pode ser enormemente potencializada pelas medicações (e suas interacções) já que o idoso acaba por usar diferentes fármacos no seu dia-a-dia.

Outro aspecto geralmente observado no idoso é a halitose, muitas vezes citada pelo paciente como tendo origem odontológica. Após um programa de limpeza da cavidade bucal, higienização e bochechos com clorhexidina, se não forem observadas melhoras, deve-se procurar por causas esofágicas ou gastrointestinais.

O facto de não ter os dentes tratados ou a ausência de prótese total ou de uma prótese parcial removível adequada, aguça um sentido de mutilação que é característico da idade avançada. Seja na família, no trabalho ou nos ambientes sociais, o idoso não deve ter restrições de sorrir, falar ou seleccionar alimentos adequados à sua condição funcional de mastigação.

Há uma diminuição natural na secreção dos sucos gástricos com a idade, por isso o preparo correcto do bolo alimentar na boca é primordial.

A moderna prática da Odontologia com a geriatria comunga dos mesmos ideais da Medicina em tornar o idoso um ser feliz em uma fase tão importante de sua vida, mantendo ou restabelecendo a vital integridade do Sistema Mastigatório.

A odontogeriatria tem, portanto, vindo a adquirir uma importância cada vez maior no contexto actual.

A Dentisa úde possui uma equipa profissional especializada neste ramo da Odontologia.